Aleitamento materno

Esta semana celebra-se o “Aleitamento Materno”, pelo que serão abordados os seus benefícios, características, mitos e verdades e ainda outros aspectos relacionados com o mesmo.


- Composição do leite materno:

A composição do leite materno varia entre as mulheres e na mesma mulher em função da duração da lactância, da hora do dia e durante a mamada.
O leite humano possui 2 importantes características do ponto de vista da sua composiçao que o distingue do leite de outras espécies:
1º - tem um teor de azoto não proteico muito elevado
2º - o teor proteico é o mais baixo de todos os leites

- Colostro: secretado no pós-parto imediato até cerca de uma semana, caracteriza-se por um fluído espesso de cor clara a amarelada, o qual contribui para a saúde do recém-nascido como nenhum outro leite poderia.
Este contém mais proteína e vitamina A e menos gordura comparativamente com o leite maduro e a IgA presente no mesmo protege o recém-nascido de certas bactérias e vírus.

- Leite de Transição: do 7º ao 14º dia de puerpério, apresenta aumento de volume e estabilização de sua composição.

- Leite maduro: a sua composição varia durante as fases da lactação e contém, além das vitaminas A, D e B6, cálcio, ferro e zinco.

A principal fonte de energia do leite materno são as gorduras, nomeadamente os Triglicerídeos (98%) e o principal glúcido é a lactose (aprox. 70g por litro), a qual é fundamental na absorção de minerais - cálcio e  ferro.
Os minerais presentes no leite materno (Ca, P, Fe, Zn, etc.) são altamente biodisponíves quando comparados ao leite de vaca ou a fórmulas infantis.
Quanto às vitaminas (A,D,E,K,C e complexo B) o seu teor está directamente ligado ao estado vitamínico da, daí a importância de uma alimentação variada e equilibrada.

Em suma, o leite materno é o alimento ideal para o recém-nascido, exclusivo até ao 6º mês e complementado até 2 anos, pelo que se torna crucial estimular a prática da amamentação para todas as mulheres, uma vez que acarreta inúmeras vantagens tanto para a mãe como para o bebé.


- Benefícios do leite materno:







- Beneficio económico:

Os benefícios económicos do aleitamento materno são directos, quando comparado o baixo custo da amamentação com a utilização dos substitutos do leite materno, e indirectos, quando associados a gastos com doenças relacionadas ao aleitamento artificial.

Em situações de impossibilidade do aleitamento materno, são indicadas fórmulas infantis, uma vez que estas são modificadas especialmente para atender às necessidades nutricionais e às condições fisiológicas do lactente no primeiro ano de vida. No entanto, é importante considerar que os produtos industrializados destinados a lactentes não apresentam dois benefícios fundamentais, só supridos pelo leite materno: o imunológico e o emocional.
Neste sentido, sempre que possível a alimentação do bebé até ao 6º mês deve ser conseguido através do aleitamento materno uma vez que para além das inúmeras vantagens que lhe são conferidas quer a nível nutricional e emocional, também é o alimento mais económico.



- Verdades e Mitos sobre o Aleitamento materno:

Por vezes existem mitos acerca da amamentação que são passados através de gerações ou criados com a ignorância que o desconhecimento científico provoca. Deixamos aqui alguns desses mitos desmitificados.

Amamentar ajuda a recuperar a forma a seguir ao parto.
VERDADE. A amamentação activa a produção de hormonas como a ocitocina, o que vai ajudar o útero a contrair para voltar ao seu tamanho normal antes da gravidez e na recuperação da mulher no pós-parto.

Se a mulher tiver mamilos planos ou invertidos não pode amamentar.
MITO. Os bebés podem ser amamentados ao peito, independentemente do formato do mamilo.

O leite artificial é mais difícil de digerir que o leite materno.
VERDADE. Os bebés que são alimentados com o leite artificial têm uma maior propensão para digestões complicadas e mais cólicas porque o sistema digestivo é imaturo para digerir as fórmulas lácteas.

O bebé deve pegar na mama na primeira hora a seguir ao nascimento.
VERDADE. A seguir ao parto deve-se pôr o bebé ao peito da mãe, altura em que o recém-nascido tem o reflexo de sucção mais activo.

Se tenho o peito pequeno, não produzo leite suficiente.
MITO. A capacidade de amamentar não depende do tamanho do peito. A produção de leite tem origem nas glândulas mamárias que quase sempre produzem leite em quantidade suficiente, independentemente se a mãe tem um peito pequeno ou grande.

Amamentar é favorável à saúde da mãe.
VERDADE. Além de permitir à mãe sentir o prazer de amamentar o seu filho, o aleitamento materno pode estar associado a uma menor probabilidade de cancro da mama e outros.

A ansiedade e o stress influenciam o processo de amamentação?
Sim, a ansiedade e o stress são factores que estão directamente relacionados com o abandono do aleitamento materno. Geralmente, as mães mais ansiosas, com elevados níveis de stress, têm mais dificuldades no processo de amamentação.


(Fonte da imagem: http://bebe.bolsademulher.com/1-a-3-anos/materia/amamentacao-10-mitos-e-verdades-sobre-o-tema)



- Leite materno e o Ambiente:

Actualmente, o leite materno também contém outros componentes, consequentes da industrialização. Componentes esses que são tóxicos, como por exemplo as dioxinas, que existem no ar que respiramos e em determinados alimentos que ingerimos.
A partir do 6º mês de idade, o bebé começa a ingerir outro tipo de alimentos para além do leite materno ou de um substituto lácteo, até se integrar no regime alimentar da família.

Após o desmame, os produtos de consumo diário, nomeadamente a carne, peixe, leite, queijos e gorduras animais, assim como a fast-food e alimentos processados, são os principais fornecedores de dioxinas para a população em geral.

É de interesse geral difundir conselhos e propostas preventivas, de modo a diminuir a transferência materna de dioxinas para futuras gerações, a qual pode ser evitada ou, pelo menos, diminuída através de diferentes medidas, tais como:
- a regulamentação para descarga de dioxinas,
- a redução do consumo de produtos animais e alimentos fabricados,
- a substituição de gorduras animais por gorduras vegetais,
- a ingestão de leite e queijos magros ao invés de gordos
Estas práticas devem ter sido em conta em todas as idades e também é recomendada para a prevenção da obesidade, a qual é cada vez mais prevalente na nossa sociedade, nomeadamente em crianças e jovens.